Notícias de Saúde

Dia D de vacinação contra a pólio e o sarampo ocorre neste sábado


Ministério da Saúde faz força-tarefa para imunizar as crianças de 1 até 5 anos de idade no Brasil. Campanha segue até o dia 31 de agosto. Ministério da Saúde realiza Dia D da vacinação contra sarampo e pólio em todo Brasil Neste sábado (18), crianças de 1 até 5 anos que ainda não receberam uma dose da vacina contra a poliomielite e/ou sarampo nos últimos 30 dias precisam comparecer à unidade de saúde mais próxima. É o 'Dia D' contra essas doenças, com doses disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Vacina do Sarampo: esclareça suas dúvidas Só 16% do público-alvo da campanha nacional foi imunizado, segundo o Ministério da Saúde. A campanha começou no dia 6 de agosto. Mais de 36 mil postos de vacinação em todo o país estarão abertos neste dia de mobilização. Doutora Ana responde: quais são os sintomas do sarampo? A campanha tem por objetivos: Vacinar quem nunca tomou a vacina; Completar todo o esquema de vacinação de quem não tomou todas as vacinas; Dar uma dose de reforço para quem já se vacinou completamente (ou seja, tomou todas as doses necessárias à proteção). A meta é vacinar 11 milhões de crianças até o dia 31 de agosto. Segundo o Ministério da Saúde, São Paulo é um dos estados com melhor cobertura vacinal, e mesmo assim só 40% das crianças foram imunizadas. No Amazonas, onde a situação é crítica e há 910 casos registrados de sarampo, só 3% das crianças foram vacinadas. Casos de sarampo confirmados até 14 de agosto O infectologista Jean Gorinchteyn afirma que o baixo índice de imunização é preocupante. "Para que a população infantil esteja protegida é necessário que haja uma meta de 95% de vacinação desse grupo. Menos do que isso nós ainda teremos risco de ter crianças doentes." Dia D será em 18 de agosto em todas as unidades de saúde Erasmo Salomão/Ministério da Saúde A campanha nacional vai até o final do mês e trata-se de uma mobilização, já que a vacina contra o sarampo fica disponível o ano inteiro nos postos de saúde. Esse tipo de campanha que inclui o reforço da dose, informa o Ministério da Saúde, acontece de quatro em quatro anos e já estava prevista no orçamento da pasta. Esse ano, no entanto, a campanha é ainda mais importante dada à volta da circulação do sarampo no território brasileiro e a ameaça da poliomielite. O Brasil tem 1.237 casos confirmados de sarampo em 2018. Já em relação à paralisia infantil, trata-se de uma precaução, já que 312 cidades estão abaixo da meta preconizada para o controle da doença e um caso foi registrado na Venezuela em junho. Não há, contudo, casos de paralisia infantil no Brasil. Quem deve ser vacinado? Contra a poliomelite: crianças de 1 até 5 anos independentemente de quantas doses já tomou. Em casos de nenhuma dose, será aplicada a Vacina Inativada Poliomielite. Em caso de uma ou mais doses, será aplicada a Vacina Oral Poliomielite, a famosa "gotinha". Contra o sarampo: crianças de 1 até 5 anos independentemente de quantas doses já tomou. Não devem ser vacinadas: crianças de 1 até 5 anos que tenham sido vacinadas nos últimos 30 dias. Entenda o que é sarampo, quais os sintomas, como é o tratamento e quem deve se vacinar Infografia: Karina Almeida/G1

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A sequência de acasos que levou à teoria do Big Bang


A Grande Explosão foi descoberta por acaso, por meio de uma tecnologia desenvolvida para registrar ondas de rádio que, por sua vez, também foi descoberta de maneira acidental. Muitas das grandes descobertas da ciência só vieram após extensas pesquisas, cálculos rigorosos e procedimentos controlados em laboratório. Parte delas, contudo, é resultado de uma combinação de erros, acasos e acidentes – a teoria do Big Bang é um exemplo. A origem do Universo foi descoberta em um lugar em que ninguém buscava. E foi formulada graças a uma descoberta fortuita anterior – a que deu origem à radioastronomia, ramo da astronomia que estuda as radiações eletromagnéticas emitidas ou refletidas pelos corpos celestes. "Na década de 1930, os laboratórios Bell estavam tentando criar radiotelefones, mas havia um sinal que estava interferindo nas transmissões pelo Atlântico. Pediram a Karl Jansky (físico e engenheiro de rádio) para investigar", contou à BBC News Sara Bridle, professora de astrofísica da Universidade de Manchester. "Jansky elaborou um receptor de rádio especial para captar ondas de rádio em todas as direções. Foi chamado de 'carrossel de Jansky' porque rodava para localizar os lugares de onde vinham essas ondas", conta Bridle. "Eventualmente, Jansky se deu conta de que elas vinham da constelação de Sagitário, que é onde agora sabemos que está o centro da Via Láctea", completa a professora. Ela explica que esse foi o primeiro registro de ondas de rádio que vinham de fora da Terra e do Sistema Solar - e o início da radioastronomia, que abriu uma janela completamente nova para que o homem explorasse o Universo. "Foi pura casualidade. E sequer foi um astrônomo", acrescenta a astrofísica Sara Bridle. Descoberta importante A descoberta foi importante porque revelou todo um pedaço do Universo que ainda era completamente invisível e, por isso, desconhecido. Para o astrônomo Nial Tanvir, era como estar num quarto com pouca luz, observando assustado tudo o que se podia enxergar e, de repente, alguém aparece com um óculos de visão noturna. "Se vamos além dos limites do que vemos com nossos olhos, temos o infravermelho, o micro-ondas, radio-ondas e, em outra direção, raios X e Y. Se usamos esses outros tipos de luz, normalmente nos deparamos com processos diferentes do que os que vemos com os nossos olhos", explica Tanvir. A origem do Universo é, por excelência, um desses processos - comprovado graças ao acaso, que ajudou a demonstrar empiricamente o chamado Big Bang, ou Grande Explosão. "A ideia do Big Bang, do ponto de vista teórico, é que num momento no passado, toda a matéria e toda a energia do Universo estava um único lugar e logo explodiu. Essa explosão marcou o início do tempo e da expansão do espaço, partindo do nada, e a expansão continua acontecendo", resume Tanvir. "Soa como uma teoria louca, mas é o que a matemática nos diz", completa o astrônomo. A teoria da Grande Explosão ganhou força durante o século passado. No entanto, até meados dos anos 1960, ainda faltavam provas contundentes para derrubar teorias alternativas. A evidência que faltava veio à tona graças à radiação cósmica de fundo em micro-ondas (CMB, na sigla em inglês), outro acaso. "A descoberta da CMB foi feita por pessoas que nem sequer estavam procurando (a origem do Universo)", assinala a professora de astrofísica Sara Bridle. Tudo começou com Arno Penzias e Robert Woodrow Wilson trabalhavam com uma antena supersensível – com design digno de filme de ficção científica (veja na foto abaixo) – desenhada para detectar as ondas de rádio emitidas pelos echo balloon satellites, satélites em formato de balão. Penzias e Wilson usavam essa antena para detectar ondas de rádio quando se depararam com um ruído estranho Nasa Para medir as ondas, elas precisavam eliminar todo tipo de interferência que viesse de outras fontes. Quando fizeram isso, os pesquisadores se depararam com um ruído desconhecido e persistente, "um sinal fraco, mas facilmente detectável, que não vinha de nada na Terra nem no Sistema Solar, nem mesmo da nossa galáxia", diz Tanvir, relembrando a história. Esse sinal vinha de todas as direções. Um ruído incômodo Em todos os lugares eles encontravam o mesmo "calor de fundo", como o próprio Penzias explicou em uma entrevista à BBC no final dos anos 70, referindo-se à energia emitida pelas ondas. "Nos surpreendeu, ou melhor, no início, ficamos irritados. Ao invés de obter um bonito e impecável zero que esperávamos para a Via Láctea, obtivemos um resultado que era 100 vezes maior que o previsto: uma temperatura de quase quatro graus", contou Penzias. "E esses quatro graus eram o resultado depois que todas as 'contribuições' do solo, da atmosfera e da antena tinham sido subtraídas", reforçou. Em busca de uma explicação para o que estava acontecendo, eles consideraram várias possibilidades, entre elas algumas ideias insólitas. "A maior suspeita vinha de alguns pombos que visitavam a antena - sempre tínhamos que limpar os 'rastros' que elas deixavam", disse ele, referindo-se às fezes das aves. Eventualmente, "os pombos foram capturados e mandados para um lugar distante". Mas os animais voltaram e "contar o que fizemos com eles não é, provavelmente, politicamente correto", disse o cientista. O que está por trás da explosão Apesar de terem sumido com os pombos, o som irritante não desapareceu. Eles ainda não tinham ligado o barulho ao Big Bang - mas, afinal, quem pensaria nisso? "Eles estavam realmente confusos e, por acaso, um amigo comentou que havia um grupo de físicos teóricos que estava bem ali perto tentando justamente decifrar o que havia acontecido depois do Big Bang", conta Bridle. "Em teoria, esperaria-se que houvesse muita luz deixada pela grande explosão do Big Bang, luz que estaria presente hoje", diz a professora. "Então eles ligaram para os físicos e perceberam que o que tinham encontrado era exatamente o tipo de sinal que aquela explosão emitiria." Eles haviam encontrado a base da cosmologia moderna. Pura sorte? Um esforço para melhorar as comunicações de rádio, um ruído no espaço e alguns físicos teóricos por perto... tudo se reuniu em um notável acidente que, segundo a maioria dos cientistas, deu ao mundo o que era necessário para comprovar a maior de todas as teorias: o Big Bang. Poderia-se dizer que Penzias e Wilson ganharam na loteria científica. Uma vez que o cocô do pombo foi descartado, o "ruído" irritante acabou por ser a descoberta acidental do século, a evidência da origem do Universo. Mas, embora a descoberta da CMB, a radiação cósmica de fundo em micro-ondas, tenha sido um acidente, será possível afirmar que, realmente, foi pura sorte? Penzias e Wilson tiveram a sorte de se deparar com o ruído e de encontrar a teoria para explicá-lo literalmente logo ao lado. A dupla, entretanto, foi muito cuidadosa e não ignorou as evidências que lhe apareciam, por mais irritantes que elas fossem. Os cientistas ganharam em 1978 o prêmio Nobel de Física. Em um mundo em que o tempo de acesso aos telescópios é regulamentado e o teste de hipóteses, base do método científico, depende de financiamento, a radioastronomia moderna aprendeu com os acidentes de seu passado. "Agora, quando um novo telescópio é feito, garantimos que novos tipos de observações possam ser feitas, de modo que não nos limitemos a tentar resolver incógnitas conhecidas", diz Sarah Britle. Em outras palavras, a porta deve estar sempre aberta para o acaso e a sorte.

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A verdadeira face da 'Eva de Naharon', a mulher mais antiga das Américas


Fóssil humano de mulher que viveu há 13,6 mil anos foi encontrado no México em caverna submersa em 2001; especialista brasileiro foi procurado para fazer reconstituição facial a partir de crânio. Rosto da 'Eva de Naharon' foi criado digitalmente a partir de crânio mais antigo já encontrado nas Américas Cícero Moraes Ela é a mulher mais antiga das Américas – pelo menos é o mais antigo fóssil humano encontrado no continente. Dezessete anos depois de ter seus restos mortais encontrados, a "Eva de Naharon" é apresentada com sua face real. Graças a um trabalho de reconstituição em 3D, o crânio dessa mulher ancestral, cuja ossada foi encontrada no México e que viveu há 13,6 mil anos, ganhou traços realistas que permitem ver como eram suas feições. "O trabalho realizado é congruente e preciso com as características físicas dos habitantes do sul da Ásia, ou seja, coincide com estudos antropológicos e de DNA realizados em fósseis humanos encontrados nessa região, todos apontando para uma ascendência asiática", afirmou à BBC News Brasil o espeleólogo e investigador subaquático Octavio del Río, pesquisador do Instituto Nacional de Antropologia e História do México e líder da equipe que descobriu a ossada, em 2001. Reconstituição foi realizada por designer brasileiro especialista em revelar faces de personalidades históricas Cícero Moraes A reconstituição em 3D foi realizada ao longo das últimas duas semanas pelo designer brasileiro Cícero Moraes, especialista em reconstituir digitalmente faces realistas de personalidades históricas e religiosas – ele tem no currículo cerca de 60 trabalhos do tipo, entre os quais, Santo Antonio de Pádua, São Valentim e Dom Pedro 1º. Para tanto, Moraes utiliza técnicas avançadas de reconstrução facial forense. A descoberta Em 2001, Del Río foi o descobridor da Eva de Naharon, quando mergulhava em uma expedição do Instituto Nacional de Arqueologia e História do México nas proximidades da cidade de Tulum, no Estado mexicano de Quintana Roo. A equipe explorava cenotes, cavidades naturais comuns na Península de Yucatán e pontos muito utilizados para rituais e sepultamentos pela civilização maia, povo pré-colombiano que habitou a região. Os trabalhos se seguiram até 2002, com o recolhimento de resquícios arqueológicos e paleontológicos. Ossos de Eva de Naharon estavam a 22,6 metros de profundidade Eugenio Aceves/INAH O esqueleto dessa mulher, batizada de "Eva de Naharon" – ganhou este nome porque foi encontrada no cenote de Naharon – estava a 22,6 metros de profundidade. E foi encontrado bem preservado, com 80% da estrutura original. Uma série de análises foi realizada pela Universidade Nacional Autônoma do México para estimar dados sobre a mulher. Eva media 1,41 metro de altura e tinha de 20 a 25 anos quando morreu. Entre 2002 e 2008, três laboratórios diferentes fizeram testes de datação. A idade foi impressionante: com 13,6 mil anos, Eva de Naharon é o mais antigo fóssil humano encontrado nas Américas. E, de certa forma, indica que houve outras migrações para o povoamento da América, antes do Estreito de Bering ter se convertido em uma "ponte" devido à Era do Gelo. Cenotes eram muito utilizados para rituais da civilização maia Octavio del Rio/INAH Teorias Proposta pela primeira vez em 1590 e validada com escavações arqueológicas realizadas na primeira metade do século 20, a teoria mais aceita para o povoamento da América diz que, na última Era Glacial, que terminou por volta de 13 mil anos atrás, o nível dos oceanos recuou em pelo menos 120 metros. Isso abriu conexões terrestres em diversos pontos do planeta, inclusive entre o atual extremo leste da Rússia e o atual Alasca, no chamado Estreito de Bering - um trecho de mar naturalmente raso. Entretanto, se os primeiros habitantes da América chegaram apenas nessa época, seria impossível que Eva estivesse no México mais ou menos ao mesmo tempo. Sua datação, portanto, veio reforçar teorias como a proposta pelo etnólogo francês Paul Rivet (1876-1958), que não negava a tradicional ideia do Estreito de Bering, mas supunha que outras migrações teriam ocorrido em séculos anteriores, por exemplo, em embarcações que saltaram de ilha em ilha. O investigador subaquático Octavio del Río foi o descobridor de Eva de Naharon Eugenio Aceves/INAH 'Eva de Naharon' De acordo com pesquisas realizadas após a descoberta, Eva viveu na região de Yucatán e era caçadora-coletora. Não se sabe se ela foi levada para o labirinto de cavernas – na época, seco – antes ou depois de morta. Estudos mostram que os cenotes se tornaram estruturas submersas após a Era do Gelo, quando o nível dos oceanos aumentou. Del Río recorda-se que encontrar Eva exigiu um ano e meio de mergulhos na região. "O trabalho foi uma maratona. Todas as referências nos levaram a lugares escondidos dentro da caverna. Foram muitas horas mergulhando em locais e rotas dentro do sistema até que finalmente obtivemos uma referência precisa da localização dos restos mortais", conta. "Quando finalmente encontramos o lugar e tive a sorte, juntamente com meu colega Eugenio Acevez, de me deparar com os restos do esqueleto de Naharon, vimos que certamente era um esqueleto humano", diz. "Mas não fazíamos a menor ideia de que se tratava do mais antigo fóssil humano já encontrado no continente." Del Río lembra que encontrar fósseis de Eva exigiu um ano e meio de mergulhos Octavio Del Rio/INAH A descoberta foi relatada ao Instituto Nacional de Antropologia e História do México e, cerca de um ano depois, dentro de um projeto de pesquisa específico, a coleta do material foi realizada - e então se iniciou o processo de análises e datação. Atualmente, o fóssil está sob a guarda do instituto, com acesso restrito a pesquisadores. Reconstrução facial Del Río conta que procurou os trabalhos de Moraes depois de tomar conhecimento de outras reconstruções faciais realizadas pelo brasileiro. "Ele é reconhecido em todo o mundo por seu trabalho de recriação facial virtual a partir de modelos tridimensionais de crânios de importantes figuras históricas", comenta. Não está nos planos do instituto fazer uma reprodução física da Eva de Naharon. "Mas parte dos objetivos é criar, dentro de um curto prazo, um museu virtual com modelos tridimensionais de restos arqueológicos e paleontológicos encontrados. Será um meio alternativo para conhecimento e estudo, que poderá ser acessado remotamente por interessados", diz Del Río. "Gostei bastante do resultado final", avalia Moraes. "Ficou diferente do que imaginava, mas os grandes mestres da reconstrução facial dizem que não podemos esperar o resultado ao mirar os ossos - temos de trabalhar e focar na metodologia, e ele (o resultado) vem naturalmente." Para o designer, Eva se revelou uma mulher de "rosto altivo e agradável aos olhos, nos contemplando com tranquilidade".

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Uso da pílula anticoncepcional é questionado por mulheres que temem riscos e querem ter o direito de escolha


Quantidade de hormônio da pílula caiu até 90%. Mulheres questionam que, independente disso, muitas vezes o médico não mostram outras opções para prevenir a gravidez indesejada. Por que as mulheres estão deixando de usar a pílula anticoncepcional? Virou uma questão? Entre alguns grupos de mulheres é cada vez mais comum um relato ou uma história de quem decidiu abandonar a pílula anticoncepcional. Por outro lado, os médicos usam estudos científicos para dizer que os riscos são pequenos se comparados com os problemas que surgem de uma gravidez indesejada. Em 1960, as pílulas anticoncepcionais foram criadas e passaram a ser vendidas. Viraram símbolo da liberdade sexual feminina. Mas, em 1961, já foram associadas a um primeiro diagnóstico de embolia pulmonar. Outros casos de acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico e infarto foram registrados nos anos seguintes. As evidências foram sendo juntadas e chegou-se à conclusão: o uso de anticoncepcionais hormonais combinados aumentam o risco de trombose. De acordo com a ginecologista Cristina Guazzelli, a literatura científica associa esse risco ao estrogênio e há uma relação direta com a dose. A indústria precisou, então, se adequar e criar opções mais "suaves" dos comprimidos. Mais de meio século depois, a quantidade de hormônio caiu até 90% em algumas versões: a quantidade passou de 150 mg para 15 mg (ultrabaixa dosagem), 30 mg (baixa dosagem) e 35 mg (média dosagem). Pílula anticoncepcional mudou de perfil: menos hormônio, mas ainda assim apresenta risco à saúde de algumas mulheres Gabriela Sanda/Pixabay Trombose e a pílula As pílulas modernas ainda apresentam um risco, apesar da mudança de dosagem. Em 2016, a jovem Juliana Bardella, na época com 22 anos, relatou nas redes sociais que desenvolveu uma trombose venosa cerebral e foi internada após usar o anticoncepcional. Muitas usuárias começaram a manifestar dúvidas sobre o uso. Grupos com milhares de mulheres passaram a debater o assunto nas redes sociais. Entre as buscas mais comuns sobre o tema no Google está "pílula anticoncepcional + trombose". Vamos colocar os riscos em perspectiva. Juliana ficou internada 15 dias, três deles na UTI Juliana Bardella/Arquivo Pessoal De acordo com Guazzelli, o risco absoluto de ter trombose pelo uso da pílula depende de vários fatores, entre eles a idade. Para mulheres com menos de 30 anos que não tomam a pílula, o risco de ter trombose é de 1 a 2 casos para cada 10 mil pessoas. Ao tomar um comprimido contendo etinilestradiol (estrogênio) e levonorgestrel (progesterona), esse risco sobe para 2 a 4 casos para cada 10 mil. Dobra, portanto. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mulheres que usam anticoncepcionais contendo drospirenona, gestodeno ou desogestrel têm um risco de 4 a 6 vezes maior de desenvolver tromboembolismo venoso, em um ano. Mesmo assim, o risco de uma mulher de 30 anos ter uma trombose ao tomar a pílula é menor do que quando se está grávida: na gestação, ocorrem de 20 a 80 casos de trombose para cada 10 mil. Fumantes, mulheres com histórico de trombose na família, pacientes com enxaqueca frequente, obesas, diabéticas não tem recomendação para o método, no entanto, porque são fatores que aumentam as chances de complicações. Mulheres sedentárias também podem apresentar algum efeito colateral, assim como aquelas pacientes que têm dores de cabeça com pequenos lampejos (cefaleia precedida de aura) – quando a mulher vê "estrelinhas, raios de luz". Os médicos apontam que aquelas que têm mais de 35 anos e são fumantes estão terminantemente proibidas de usar pílula. Pílula anticoncepcional tem relação com trombose? Veja mais perguntas Guazzelli diz que existem dois estudos importantes sobre o assunto, os dois com uma boa amostra de mulheres. O estudo EURAS acompanhou 58.674 mulheres, todas da Europa. Já o INAS-SCORE acompanhou 50.203, com usuárias americanas e também de países europeus. Sobre o EURAS, ela escreve em artigo que foi uma das primeiras pesquisas de longa duração: foram 5 anos de análises com usuárias do método com progestina. Neste tempo, entre as mais de 58 mil mulheres, 118 casos de trombose foram relatados. Já o INAS apresentou um resultado, que de acordo com Guazzelli, não evidencia uma diferença estatística com relação ao estudo europeu. Entre as mais de 50 mil usuárias de valerato de estradiol (estrogênio) e dienogeste, ocorreram 47 casos de tromboembolismo e 233 eventos cardiovasculares (infarto e AVC). Em comparação com o número total, poucas mulheres. Mas elas existem, como mostrou a história de Bardella. E é por isso que alguns ginecologistas e médicos da família batem em outra tecla: o direito de escolha. Quero meu leque de opções Tainá Souza tem 25 anos e há 4 anos não toma a pílula (assista ao vídeo no topo). Ela diz que foi influenciada pela avalanche de comentários sobre o método nos grupos de Facebook, mas que depois buscou se informar sobre o assunto. Tainá Souza, de 25 anos, deixou de usar a pílula há 4 anos Arquivo Pessoal Ela simplesmente não via mais motivo para tomar os comprimidos. Usa, nos dias de hoje, a camisinha, um método que "pode dividir com o parceiro". Diz, também, que passou a "se sentir diferente" depois de parar de tomar e que não "era boa em lembrar de tomar os comprimidos no horário". Os especialistas ouvidos pelo G1 dizem que nenhum médico pode obrigar seu paciente a usar um determinado método contraceptivo. Deve, como explica a médica da família Luiza Cadioli, "ser uma escolha compartilhada". Halana Faria trabalha com Cadioli em um coletivo feminista "Saúde e Sexualidade", com oito médicas da família em Pinheiros, São Paulo. "A gente passou de uma situação de completa alienação com relação aos riscos do anticoncepcional oral. Na década de 60, a pílula surge como uma grande revolução. E realmente é, por desvencilhar a reprodução do sexo. E também é algo muito fácil para as mulheres", disse Faria. "As mulheres começaram a se dar conta sobre as coisas que a gente faz de forma automática. Tem toda uma coisa do feminismo: o cuidado de si, o entendimento do próprio corpo", explica. Faria fala que as mulheres passaram a falar sobre passar pelo risco de trombose. Outras questões são levantadas: usar um hormônio sintético por um longo prazo, a diminuição do libido, enxaqueca. "Tem toda uma problemática do jeito que a gente faz medicina atualmente que é de pouco diálogo. As mulheres muitas vezes são consideradas pouco capazes. Então, acho que isso está de pano de fundo". "Mas de maneira nenhuma me colocaria contra a pílula. Sou pró-escolha", completa. As médicas lembram que a camisinha, apesar de ser outra solução fácil, é um método de baixa eficácia. Por isso, é importante conhecer os métodos disponíveis pelo SUS e conversar sobre cada um deles com o ginecologista: veja a lista aqui.

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Conselho Federal lança código de ética do estudante de medicina


Documento trata sobre temas como trotes, relação com cadáver e uso de whatsapp. Estudantes durante aulas no curso de medicina: código vai regulamentar temas éticos da profissão Faceres/Divulgação O Conselho Federal de Medicina (CFM) lançou na terça-feira (14) um código de ética do estudante de medicina (CEEM). O documento trata de temas como trotes aos calouros, relação com os cadáveres, respeito pelo paciente e uso do whatsapp. São 45 artigos organizados em seis diferentes eixos, que ressaltam atitudes, práticas e princípios morais e éticos do futuro médico. Segundo o conselho, o trabalho de elaboração do texto teve início há dois anos e foi inspirado em experiências semelhantes de outros países, como Inglaterra, Estados Unidos e Canadá. Para elaboração, foram ouvidas representações institucionais, estudantes e entidades da sociedade civil. Ao todo foram recebidas 272 contribuições. O CEEM funciona como orientação não somente aos alunos, mas também para os professores e responsáveis pelas instituições de ensino, encarregados da formação do profissional. A previsão é de que a partir de setembro o novo código de ética do estudante de medicina seja encaminhado para as mais de 320 escolas em atividade em todo o País. O documento ficará disponível para download no site do CFM e também deve ser distribuído numa versão impressa, em formato de bolso. Principais pontos do Código de Ética Médica do Estudante

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Mortes por overdose nos EUA batem recorde e chegam a quase 72 mil em 2017


Após medidas enérgicas contra a venda de analgésicos sob receita, os usuários se viram obrigados a recorrer a heroína e fentanil, que é mais barato e muito mais potente. Foto de agosto de 2017 mostra um arranjo de pílulas do opióide oxicodona-acetaminofeno, em Nova York Patrick Sison/ AP As mortes por overdose nos Estados Unidos aumentaram 7% e chegaram a quase 71.568 mil em 2017, segundo dados do órgão estatal de saúde pública para o controle de doenças (Centers for Disease Control, CDC) divulgados na quinta-feira (16). O número de mortes por overdose é muito superior aos óbitos por acidentes de trânsito, relacionados a armas de fogo ou suicídios. O aumento nos casos ocorre em um momento em que os mais viciados recorrem ao potente opioide sintético fentanil pelas dificuldades para acessar os cada vez mais controlados analgésicos de receita. As mortes por overdose nos Estados Unidos somaram 67.114 em 2016 e um pouco mais de 54.207 em 2015, segundo o CDC. Os registros de mortes aumentaram em 38 dos 50 estados do país. A maioria das mortes aconteceram na Flórida (sudeste), Califórnia (oeste), Pensilvânia e Ohio (meio-oeste), segundo a France Presse. Os aumentos maiores, em termos percentuais, aconteceram na Carolina do Norte (sudeste), com um aumento de 22,5%, e em Nebraska (meio-oeste), com uma alta de 33,3%. Epidemia de overdose A epidemia de overdose nos Estados Unidos começou no início da década de 2010, principalmente vinculada à prescrição excessiva de Oxycontin e outros analgésicos legais, fazendo com que mais de dois milhões de pessoas se viciassem. Nos últimos três anos, as autoridades tomaram medidas enérgicas contra a venda de analgésicos sob receita e os usuários se viram obrigados a recorrer a heroína e fentanil, mais barato e muito mais potente. As estatísticas mostram que os opioides sintéticos como o fentanil estão implicados em quase metade das mortes por overdose, em comparação a aproximadamente um terço há apenas um ano. O presidente Donald Trump declarou o problema como uma emergência nacional de saúde pública no ano passado. Maconha sintética Overdose em massa assusta moradores e autoridades nos EUA Em New Haven, Connecticut, o número de vítimas de overdose ligadas a um suposto lote de maconha sintética subiu para 76 na quinta-feira. As autoridades tentam determinar exatamente o que fez as pessoas passarem mal, de acordo com a Associated Press. As pessoas começaram a passar mal pouco depois das 8h de quarta-feira (15) no histórico parque New Haven Green, perto da Universidade de Yale. Os casos de overdose continuaram até a manhã desta quinta. Nenhuma morte foi registrada, e a maioria das pessoas levadas aos hospitais já recebeu alta, disseram autoridades. Socorristas respondem a casos de overdose no parque New Haven Green, em Connecticut, na quarta-feira (15), onde dezenas de pessoas passaram mal depois de consumirem maconha sintética Arnold Gold/New Haven Register via AP

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