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Como Sigmund Freud introduziu a cocaína na medicina europeia


Antes da substância ser usada como anestésico, a cirurgia ocular era um procedimento complicado devido aos movimentos de reflexos do olho quando tocados. Sigmund Freud, considerado o pai da psicanálise Time Life Pictures Em 1815, um jovem alemão se tornou a primeira pessoa a extrair a essência do ópio, e a chamou de morphium, em homenagem ao deus grego dos sonhos: Morfeu. Seu nome era Friedrich Sertürner e com seus experimentos ele encontrou a chave para criar grande parte dos medicamentos modernos. O que mais tarde foi chamada de morfina foi amplamente utilizada, especialmente para eliminar a dor, mas também como um substituto para o álcool. Até que os médicos perceberam que era ainda mais viciante do que as substâncias que ela supostamente deveria substituir. Os opioides são ótimos analgésicos, mas têm efeitos colaterasis significativos, desde constipação e vômito até o vício - e em certos casos podem levar à morte. As virtudes da folha sul-americana O sucesso de Sertürner encorajou outros: em 1820, os químicos isolaram outras substâncias de importância médica, como a quinina, a estricnina e a cafeína. Plantas em todo o mundo foram logo examinadas em busca de alcalóides que pudessem competir com os opiáceos. Uma planta na América do Sul continha uma substância com propriedades extraordinárias para eliminar a dor. Mas, como a morfina, veio com um preço muito alto. O alcalóide extraído das folhas de coca já era um conhecido estimulante na América do Sul. O pó branco, conhecido como cocaína, foi adicionado a vinhos promovidos pelo papa católico; a refrescos, para aqueles que desaprovam o álcool, e a gotas e pastilhas analgésicas. Mas foi a reputação da cocaína de combater a fome e a fadiga que levou um curioso médico austríaco a investigar seus efeitos a fundo. Plantação de cocaína Fernando Vergara/AP A droga mágica Sigmund Freud era então neurologista em Viena. Isso foi muito antes de ele desenvolver a psicanálise. Ele se interessou muito pela cocaína. Ele a chamou de droga mágica e a receitou para seus pacientes para toda uma gama de doenças, incluindo o vício da morfina, ironicamente. Além disso, ele enviou amostras de cocaína a vários de seus colegas, incluindo um oftalmologista chamado Karl Koller. Sem sensação Koller estava usando morfina e outras substâncias para tentar aliviar a agonia da cirurgia ocular, mas nada havia funcionado. Quando ele experimentou um pouco de cocaína, percebeu que a ponta da língua estava dormente. Ele se perguntou, então, o que aconteceria se a cocaína fosse posta no olho. Primeiro, ele tentou com um sapo e um cachorro e eles pareciam bem, então ele decidiu dissolver um pouco do pó na água e colocar algumas gotas em seus olhos e os de um colega. Então, eles espetaram seus olhos com um alfinete afiado. Eles descobriram que estavam totalmente adormecidos. Era extraordinário. Enquanto o ópio adormeciam a dor, a cocaína era um anestésico, o que literalmente significa a ausência de sensação. Sem sinais A cocaína impede que os nervos enviem sinais. E isso afeta não só os nervos que detectam a dor, mas todos eles. É por isso que faz com que o olho ou a língua pareçam totalmente adormecidos. A cocaína tornou possível uma cirurgia ocular complicada. Atualmente, ela não é muito usada, mas seus derivados certamente sim: eles formam a base de muitos anestésicos de uso local. Então, se você alguma vez estiver na cadeira do dentista e resistir a alguma operação potencialmente dolorosa, lembre-se com agradecimentos a Sigmund Freud e ao Dr. Koller. Ou Coca Koller, como às vezes era chamado. * Este artigo é baseado em parte na série da BBC "Dor, pus e veneno: a busca de medicamentos modernos"

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Marinha prevê inaugurar estação na Antártica em 2020, oito anos após incêndio


Obra é executada por uma empresa chinesa e, segundo a Marinha, se aproxima do final. Incêndio em 2012 destruiu estação, e dois militares morreram. Passados sete anos desde o incêndio que destruiu a Estação Antártica Comandante Ferraz, a Marinha prevê inaugurar a nova estação em março de 2020. Executada pela empresa chinesa Ceiec, a obra se aproxima do final, segundo a Marinha, que prevê concluir as obras civis e a instalação de máquinas e mobiliário até 31 de março, iniciando um período de testes do complexo científico até março de 2020. Após os testes, a estação poderá receber militares e pesquisadores. "A previsão de inauguração é março de 2020, quando os pesquisadores e o Grupo-Base [de militares] deverão ocupar em definitivo as instalações da nova Estação Antártica Comandante Ferraz", informou a Marinha ao G1. Com investimento de US$ 99,6 milhões, o complexo receberá profissionais que atuam no Programa Antártico Brasileiro (Proantar), criado em 1982 para desenvolver pesquisas em áreas como oceanografia, biologia, glaciologia e meteorologia. A nova estação ficará no mesmo local da estrutura antiga, instalada em 1984 na Península Keller, na Ilha Rei George. A primeira base abrigou pesquisadores até fevereiro 2012. Um incêndio onde ficavam os geradores de energia do complexo destruiu quase toda a estrutura e provocou a morte de dois militares. Apesar do incêndio, as pesquisas brasileiras não pararam. Na Ilha Rei George, os trabalhos foram desenvolvidos em uma estação provisória, montada ao lado da base consumida pelo fogo. Os "módulos emergenciais" são usados enquanto os pesquisadores aguardam o final da reconstrução. Obras de reconstrução de base na Antártica Marinha do Brasil/Divulgação A nova estação A nova Estação Antártica Comandante Ferraz terá 4,5 mil m², poderá acomodar até 64 pessoas e terá 17 laboratórios, além de alojamentos e espaços de convivência e de lazer. Construído em um local inóspito, o complexo terá condições de suportar temperaturas negativas, nevascas e ventos de até 200 quilômetros por hora. A estrutura ainda terá sistemas de detecção, alarme e combate a incêndios. Os preparativos para reconstruir a estação tiveram início ainda em 2012, com a retirada dos escombros da antiga base. Após, a Marinha lançou um edital para obra do novo complexo, concluído em 2014 sem propostas. Uma nova licitação foi aberta e, em 2015, foi confirmada a empresa chinesa Ceiec para executar o empreendimento. Como só é possível trabalhar na Ilha Rei George durante o verão antártico (outubro a março), a empresa executou a obra em módulos. A Ceiec preparou os módulos na China, no período de inverno, e transportou e montou as estruturas no verão. Obras civis Segundo a Marinha, a reconstrução segue o cronograma do verão 2018-2019, que prevê a conclusão das obras civis e a instalação do maquinário e mobiliário. A Ceiec, de acordo com a Marinha, concluiu até o momento as seguintes fases da obra: Fundações e montagem da estrutura Montagem dos módulos tipo contêiner Conclusão da estrutura que envolve a estação Atualmente, 268 funcionários contratados pela empresa chinesa trabalham na reconstrução da estação, junto com equipe de engenheiros e fiscais da Marinha e do Ministério do Meio Ambiente. No momento, a Ceiec realiza serviços de acabamento interno do complexo, instalação de equipamentos e móveis. Para março está prevista a inauguração da infraestrutura de telecomunicações. Nos trabalhos neste verão, a empresa utiliza guindastes, caminhões e máquinas para movimentação de materiais, além do Navio Mercante Magnólia, contratado pela própria Ceiec. Os navios Ary Rongel e Almirante Maximiano, ambos da Marinha, dão apoio logístico à estação e aos projetos de pesquisa na região. Obras de reconstrução de base na Antártica Marinha do Brasil/Divulgação Período de testes Concluídas as obras civis e as montagens de equipamentos e móveis, terá início o período de testes da nova estação, chamado de "comissionamento", com previsão de durar de março de 2019 a março de 2020. A Marinha considera que a reconstrução estará finalizada após os testes – durante o inverno antártico a Força mantém um "grupo base" de militares que cuidam dos módulos emergenciais e da nova estação. A Marinha destacou que o comissionamento assegura que os sistemas e equipamentos do complexo foram instalados e funcionam, conforme o projetado. Equipamentos considerados vitais para a estação, como geradores, permanecerão em funcionamento no próximo inverno, entre março e setembro. Os demais equipamentos e sistemas (hidráulicos, elétricos, tratamento de esgoto e automação) ficarão desligados no inverno. Segundo a Marinha, devido às condições meteorológicas deste mês na Ilha Rei George e a importância de realizar os testes e atestar o bom funcionamento da estrutura, optou-se por inaugurar a estação após o comissionamento, em março de 2020. Pesquisas De acordo com a Marinha, desde o incêndio de 2012, cerca de 25 projetos científicos e 250 pesquisadores receberam apoio logístico para desenvolver trabalhos na Antártica. Em março do ano passado, pesquisadores do Proantar enviaram uma carta ao então ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Gilberto Kassab, na qual afirmaram que a parte científica do programa estava ameaçada por falta de recursos. Em agosto, o MCTIC e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) lançaram um edital no valor de R$ 18 milhões para financiar projetos do Proantar. Segundo a pasta, foram selecionados 16 projetos, que receberão o dinheiro ao longo de 48 meses. Vice-presidente do Comitê Científico sobre Pesquisa Antártica (Scar, na sigla em inglês), o professor Jefferson Simões afirmou ao G1 que o repasse de recursos assegurou a continuidade do Proantar pelos próximos três anos. "O edital vai dar um novo impulso para o programa antártico, garantiu a continuidade da parte científica do programa", disse. Pesquisador polar há 30 anos e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Simões acredita que no próximo verão será possível desenvolver pesquisas na nova estação brasileira. Segundo ele, as pesquisas do Proantar são divididas da seguinte forma: 40% no oceano a bordo do navio Almirante Maximiano 25% na estação Comandante Ferraz 20% em acampamentos em diferentes regiões da Antártica 15% no módulo criosfera 1, instalado no continente antártico, a cerca de 2,5 mil quilômetros da estação. Simões também destaca a importância geopolítica de inaugurar o novo complexo científico, uma vez que o Brasil está entre os países com interesse na Antártica. "As estações antárticas têm, de um lado o aspecto científico, mas principalmente o aspecto político. É a casa do Brasil na Antártica, é a demonstração do interesse geopolítico do Brasil na questão Antártica, vai além da pesquisa", explicou.

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Era do gelo: cientistas descobrem 'via expressa de gelo' que existiu entre a África e o Brasil milhões de anos atrás


Formações rochosas peculiares encontradas na Namíbia deram a pesquisadores pista para entender enorme fluxo glacial ocorrido na era do gelo - e que pode dar pistas sobre como coberturas glaciais vão responder ao aquecimento do planeta. Formações rochosas na Namíbia deram as pistas para que cientistas concluíssem que por ali passavam blocos de gelo em alta velocidade, em direção ao Brasil Universidade da Virgínia Ocidental Centenas de milhões de anos atrás, quando nosso planeta passava por uma era do gelo e quando os continentes não ocupavam os mesmos espaços geográficos que ocupam hoje, havia uma "via expressa" entre a Namíbia (sudoeste da África) e o Brasil, por onde o gelo passava em alta velocidade. É o que cientistas da Universidade da Virgínia Ocidental (EUA) afirmam ter descoberto, segundo estudo publicado recentemente no periódico PLOS One. A descoberta foi acidental e começou a se desenhar alguns anos atrás, quando os geólogos Graham Andrews e Sarah Brown viajaram à Namíbia, país de paisagens desérticas e dunas, para estudar rochas vulcânicas. Na expedição, eles depararam com uma formação geológica peculiar: em um deserto plano, havia centenas de colinas íngremes e alongadas, que se assemelhavam a dorsos de baleia. É uma típica formação rochosa de lugares que em algum momento foram cobertos por geleiras - algo incomum em paisagens desérticas, o que chamou a atenção dos pesquisadores. De volta à universidade, Andrews e Brown descobriram que essas colinas ainda não haviam sido plenamente estudadas. "(São) rochas de um período quando o sul da Áfica era coberto de gelo", afirma Andrews em comunicado da universidade. "As pessoas obviamente sabiam que aquela parte do mundo esteve coberta de gelo em determinado momento, mas ninguém havia mencionado nada a respeito de como essas 'drumlins' (como são chamadas as colinas) haviam sido formadas ou por que elas estavam ali." A partir da medição das formas e padrões dessas estruturas rochosas, Andrews e seus colegas identificaram grandes sulcos, o que indica que blocos de gelo provavelmente passavam por ali em alta velocidade, deixando as profundas marcas nas rochas. Passagem do gelo é a responsável pelos sulcos nas formações rochosas da Namíbia Universidade da Virgínia Ocidental Do gelo ao aquecimento "Esses sulcos demonstraram a primeira evidência de um fluxo de gelo no sul da África no fim da Era Paleozoica, que ocorreu 300 milhões de anos atrás", diz comunicado da universidade. E esse fluxo terrestre de gelo percorria, segundo a pesquisa, centenas de quilômetros em direção ao bloco continental onde hoje fica o Brasil. Outros estudos prévios apontam que esse período - o fim da era de gelo paleozoica - foi a última era glacial da história da Terra até agora, uma época em que o gelo avançava e retraía e em que os continentes não eram separados como agora, mas sim aglomerados na chamada Pangeia. A África e a América do Sul estavam, nessa época, ligadas uma à outra. Segundo o estudo publicado no PLOS One, as descobertas reforçam uma crença prévia dos cientistas de que sedimentos geológicos encontrados no Brasil, na bacia do Rio Paraná, foram trazidos por enormes fluxos de gelo vindos do sul da África. A expectativa é de que as pesquisas sobre esse fluxo de gelo não deem pistas apenas de como era o planeta há 300 milhões de anos, mas ajudem os cientistas a entender como grandes blocos de gelo modernos se movem e reagem ao processo atual de aquecimento do planeta. "Essas super-rodovias de gelo são, na verdade, a forma como as coberturas de gelo desaparecem", disse Andrews em entrevista ao jornal "The New York Times".

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Nova espécie de dinossauro descoberta em Santa Maria é apresentada em revista científica


Fóssil foi encontrado em 2012. Grupo de pesquisadores do Brasil e da Inglaterra estudaram o animal, que pode ser o terópode, linhagem a que pertence também o tiranossauro, mais antigo a viver no país. Nova espécie de dinossauro descoberta em Santa Maria é apresentada em revista científica Uma nova espécie de dinossauro brasileiro, descoberto em Santa Maria, foi apresentado por um grupo de pesquisadores no periódico Journal of Vertebrate Paleontology. O animal é um carnívoro adolescente, que media entre 1 metro e 1,5 metro, e pode ser o terópode, linhagem de dinossauros bípedes a qual pertencem os tiranossauros, mais antigo a viver no Brasil. O animal ganhou o nome de Nhandumirim waldsangae, que vem da combinação de nhandu, ema em Tupi-Guarani, e mirim, pequeno em Tupi-Guarani, em referência ao tamanho e à semelhança do dinossauro com animais como a ema e o avestruz. Estudiosos estimam que ele tenha vivido há 233 milhões de anos, no sítio paleontológico Sanga da Alemoa, onde hoje está localizado o município de Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul. É neste local que foi encontrado um dos dinossauros mais antigos do mundo, o estauricossauro. Os fósseis do dinossauro foram encontrados em 2012 por equipe da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Da pesquisa, participaram especialistas de Ribeirão Preto, Minas Gerais, Pernambuco e Birmingham, do Reino Unido, além de Átila da Rosa, pesquisador de Santa Maria. Por ser um animal juvenil, conforme a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), não é possível ter certeza do tamanho da espécie quando adulta. Dos traços anatômicos, os mais marcantes estão na região do tornozelo, que indicam a relação com outros terópodes, como o Coelophysis, dos Estados Unidos, e o Zupaysaurus, da Argentina. Para os pesquisadores, o Nhandumirim possivelmente é o membro mais antigo dessa linhagem de dinossauros carnívoros que viveu no Brasil. Representação artística do animal descoberto em Santa Maria, anunciado em artigo em um periódico Arte/Jorge Blanco Importância do sítio paleontológico Segundo o professor e pesquisador Átila da Rosa, a descoberta mostra a importância do sítio paleontológico em que o Nhandumirim waldsangae foi encontrado. "É onde aparece muitas espécies, rincossauros, cinodontes, arcossauros, animais répteis que teriam dados origem aos dinos e os próprios dinossauros", diz. Ele destaca que são encontrados no RS linhagens muito antigas, e que indicam que o surgimento desses animais foi mais rápido do que se acreditava até então. "Isso ajuda a entender que o surgimento [das espécies] se deu de forma rápida, em tempos geológicos, cerca de 3 milhões de anos e não em 10, 15 milhões de anos, como se acreditava", diz. Além disso, a descoberta e o destaque da pesquisa em uma revista de prestígio mostra a importância do incentivo a esse tipo de estudo. "Se não tivesse prospecção, continuidade da pesquisa nos sítios, bolsa para os alunos irem a campo e procurar esse material, não teríamos esse resultado", analisa. Falanges do pé do dinossauro, que indicam familiaridade com os terópodes, espécies de dinossauros bípedes Divulgação/UFSM Novas espécies em 2018 No ano passado, pelo menos duas novas espécies encontradas no Rio Grande do Sul foram anunciadas por pesquisadores. Em novembro, o dinossauro de pescoço longo mais antigo do mundo foi descoberto em Agudo, também na Região Central do estado. O animal, que recebeu o nome de Macrocollum itaquii, foi descrito a partir de três esqueletos fossilizados escavados em rochas triássicas, com 225 milhões de anos. Os esqueletos foram coletados no início de 2013 e o estudo foi publicado recentemente na revista acadêmica britânica Biology Letters. E em maio, o fóssil de um réptil que viveu há 230 milhões de anos foi encontrado em Candelária. Desenho esquemático do esqueleto de Macrocollum (ilustração por Rodrigo Temp Müller) Rodrigo Temp Müller/Ilustração

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Ondas gravitacionais: Qual a importância de detector de buracos negros que ganhará ‘upgrade’ milionário


Os governos do Reino Unido e dos EUA anunciaram um projeto de 25 milhões de libras para aumentar a sensibilidade de máquina que permitirá ampliar o conhecimento sobre gravidade, buracos negros e estrelas de nêutrons. O laboratório LIGO Louisiana que detectou ondas gravitacionais está à espera de atualização NSF/LIGO Os governos do Reino Unido e dos Estados Unidos investirão 25 milhões de libras (aproximadamente R$ 120 milhões) para dar um 'upgrade' nas máquinas que, em 2015, fizeram a primeira detecção de ondas gravitacionais da história. A atualização dos aparelhos permitirá que eles detectem colisões de buracos negros quase duas vezes mais distantes. Até 2024, eles devem ser capazes de observar em detalhes como nunca antes mais de três eventos cataclísmicos do tipo todos os dias. Os detalhes foram anunciados em reunião da Associação Americana para o Avanço da Ciência, em Washington. Parte da equipe à frente do projeto, a professora Sheila Rowan, da Universidade de Glasgow, disse que esse upgrade ajudará a entender mais sobre gravidade, buracos negros e estrelas de nêutrons. "Temos aprendido bastante com as 10 colisões de buracos negros e de estrelas de nêutrons que já observamos", disse ela à BBC News. "Ainda estamos bem no começo do que [o aparelho] pode nos oferecer em várias áreas da ciência." Máquinas Advanced LIGO disparam lasers através de longos túneis, tentando sentir ondulações no tecido do espaço-tempo NSF/LIGO O que são ondas gravitacionais? Ondas gravitacionais são ondas enviadas através do Universo quando a gravidade em um certo ponto no espaço muda repentinamente, motivada pela colisão de dois buracos negros, por exemplo. O processo é parecido com as ondulações causadas quando uma pedra é arremessada num lago, mas no caso das ondas gravitacionais, o espaço e tudo o que existe nele é o lago. Como aquelas ondulações na água, tudo no caminho das ondas - as estrelas, os planetas, as casas e até as pessoas - fica ligeiramente maior e mais fino e depois menor e mais grosso, à medida que a agitação passa. Mas as distorções são ínfimas - muito menores que a largura de um átomo. Einstein estimou a existência dessas ondas em 1916, mas teria dito que elas eram pequenas demais para serem detectadas. Ele se mostrou certo e errado 100 anos depois, quando uma equipe internacional de pesquisadores as identificou pela primeira vez usando um par de máquinas de 4 km de comprimento, chamado Advanced LIGO. Como o Advanced LIGO funciona? Extremamente bem, dizem os pesquisadores envolvidos. De fato, as máquinas detectaram ondas gravitacionais logo depois de serem ligadas. A equipe do LIGO passou a detectar mais nove colisões de buracos negros e uma colisão de duas estrelas mortas, chamadas de estrelas de nêutrons, nos dois anos seguintes à descoberta inicial. Isso sugere que vivemos em um universo violento, onde tais eventos cataclísmicos são a regra. Os instrumentos em forma de L são essencialmente compostos por duas réguas altamente precisas a 90 graus umas das outras. Cada braço tem um raio laser que reflete em um espelho na outra extremidade. O tempo que leva para voltar é uma medida do comprimento de cada braço. Quando as ondas gravitacionais chegam do espaço, a forma em L é esticada pela primeira vez e, então, tem uma ínfima parte amassada por uma fração de segundo, mas o suficiente para uma mudança a ser detectada. Qual será a atualização? A atualização será chamada de Advanced Ligo Plus, ou simplesmente A+. Grande parte da melhoria será conduzida por uma equipe britânica que tem à frente pesquisadores do Instituto de Pesquisa Gravitacional da Universidade de Glasgow, com a especialização necessária para construir os instrumentos de alta precisão que irão medir as minúsculas distorções criadas pelas ondas gravitacionais. Os pesquisadores vão aumentar a sensibilidade dos aparelhos de quatro maneiras. Primeiro, eles terão espelhos melhores e mais reluzentes; segundo, os espelhos terão o revestimento aprimorado, o que reduz a oscilação de moléculas na superfície; terceiro, o sistema de suspensão no qual os espelhos são pendurados ficará ainda mais estável, e, por fim, a luz - que é conhecida como difusa no nível quântico - está sendo ajustada com a ajuda de uma equipe australiana. A ideia é aumentar sua precisão. O que o A+ vai estudar? Ao serem capazes de detectar mais colisões de buracos negros, os pesquisadores poderão aprender mais sobre eles, especialmente em suas bordas, onde as leis conhecidas da física começam a falhar. Assim como um aumento na quantidade, os cientistas poderão observar colisões com uma resolução muito maior - em altíssima definição, em comparação com o que podem detectar atualmente. Mais difíceis de detectar são as colisões de estrelas de nêutrons. Elas são fascinantes porque todo o gás em combustão que continham se comprimiu em si mesmo para formar um material super denso. Uma colher de chá do material pesa 10 milhões de toneladas. Os físicos querem saber como é esse material. Estima-se que as estrelas de nêutrons produzem ouro, platina e outros metais quando colidem. Até agora, os aparelhos existentes detectaram somente uma. O A+ deve ser capaz de detectar 13 por mês. E, talvez o mais intrigante, o A+ pode ser capaz de resolver um mistério sobre a velocidade em que o Universo está se expandindo. O A + vai medir a expansão observando o comportamento das ondas gravitacionais.

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Por que a supergonorreia pode se tornar incurável


Bactéria responsável pela infecção sexualmente transmissível está desenvolvendo resistência aos antibióticos existentes. A maioria das ISTs pode ser prevenida com o uso de camisinha Irineu I Degasperi/ Free Images A gonorreia está mais resistente aos antibióticos e pode se tornar incurável. Considerada a segunda infecção sexualmente transmissível (ISTs*) mais comum no mundo, a doença afeta milhões de pessoas todos os anos. Mas, agora, o tratamento se tornou mais complexo - em alguns casos, até impossível - porque a bactéria responsável está desenvolvendo resistência aos antibióticos existentes. "Se não tivermos mais apoio, se não encontrarmos o tratamento correto para a gonorreia, vai chegar um momento em que a doença vai se tornar incurável", alerta Teodora Wi, especialista da Organização Mundial da Saúde (OMS). É com base nestes dados que a jornalista Kay Devlin, do programa da BBC Newsnight, explora os desafios envolvidos em impedir a propagação da supergonorreia e revela algumas formas surpreendentes de contaminação. Desde a descoberta da penicilina, a gonorreia se tornou resistente a seis tipos diferentes de antibióticos. No último ano, foram reportados três casos de supergonorreia no Reino Unido e dois na Austrália. Foram os piores casos já registrados no mundo. O primeiro envolveu um britânico que pegou gonorreia na garganta após fazer sexo com uma mulher que conheceu por meio de um aplicativo de relacionamento na Tailândia. Ao aplicar o tratamento tradicional contra a doença - uma combinação de azitromicina e ceftriaxona - os especialistas constataram que o organismo não respondia aos antibióticos. E apesar das tentativas de identificar e tratar a mulher que transmitiu a infecção - para impedir a propagação da doença -, ela nunca foi encontrada. "Com aplicativos com Grindr e Tinder, é incrivelmente fácil fazer sexo com desconhecidos. Isso significa que não há muitas informações sobre o parceiro e por mais que você tente convencer o paciente a tentar entrar em contato com ele, ainda assim às vezes é quase impossível conseguir fazer isso", explica a médica Tas Rashid, especialista em saúde sexual. Segundo ela, esse é um dos desafios para impedir a propagação da doença. "Nós vivemos em um mundo cada vez mais globalizado. O sexo é muito mais acessível do que antes. O acesso a múltiplos parceiros sexuais é muito mais fácil", avalia Rashid. "Não podemos impedir as pessoas de viajarem para outros países, fazer sexo desprotegido e 'importar' infecções. Não conseguimos impedir isso", completa. Estão em andamento, no entanto, experimentos clínicos para tentar desenvolver novos tratamentos para a supergonorreia, de acordo com a Parceria Global de Pesquisa e Desenvolvimento de Antibióticos (GARDP). A gonorreia é causada pela bacteria Neisseria CNRI/SCIENCE PHOTO LIBRARY O que é gonorreia? A doença é causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae. A infecção é transmitida por meio de relação sexual sem uso de preservativo - seja vaginal, anal ou oral. "Quando falamos sobre sexo, acho que a maioria das pessoas pensa em sexo vaginal ou anal, mas o sexo oral é tão importante quanto porque doenças como clamídia, gonorreia e sífilis são transmitidas oralmente também", ressalta Rashid. Além disso, é importante lembrar que a gonorreia também pode passar para os olhos por meio das mãos ou outra parte do corpo que contenha fluídos corporais infectados. "O que esquecemos de dizer as pessoas é que a gonorreia também pode se manifestar nos olhos apenas pelo contato de dedos infectados", completa. Os sintomas incluem secreção purulenta esverdeada ou amarelada encorpada, dor ao urinar e sangramento no intervalo de cada menstruação. No caso das mulheres, principalmente, a doença pode ser silenciosa e não apresentar sintomas. Quando não tratada, a gonorreia pode levar à infertilidade, à transmissão para o feto durante a gravidez e a doença inflamatória pélvica. Gonorreia no Brasil Segundo o Ministério da Saúde, não há registro de gonorreia super-resistente no Brasil. Apesar de não ser uma doença de notificação obrigatória, estima-se que surjam 500 mil casos novos de gonorreia por ano - com prevalência de aproximadamente 1,4% na população de 15 a 49 anos. Ainda de acordo com o governo, recomenda-se a busca pelo serviço público de saúde no caso de sintomas. Se confirmada a doença, o tratamento oferecido é gratuito e deve se estender também aos parceiros sexuais. * Seguindo a recomendação da Organização Mundial da Saúde, também acatada pelo Ministério da Saúde, usamos a terminologia IST no lugar de DST (doenças sexualmente transmissíveis), já que pacientes podem carregar infecções sem necessariamente apresentar sintomas de doenças.

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