Notícias de Saúde

Pesquisa mostra que transtornos mentais diferentes podem ter a mesma causa genética


Esforço global de cientistas encontrou forte sobreposição genética entre condições como depressão e déficit de atenção. Achados estão na 'Science' desta quinta-feira (21). Estudo mostra que, pelo menos no nível genético, há muita similaridade entre as condições psiquiátricas NeuPaddy/Pixabay/CC0 Creative Commons Estudo publicado na revista "Science" nesta quinta-feira (21) mostra que transtornos mentais diferentes, como depressão e déficit de atenção, dividem o mesmo grupo de genes, e por isso, podem ter a mesma causa genética. O estudo faz parte do projeto BrainStorm Consortium, iniciativa de cientistas norte-americanos que tenta medir o peso que a genética tem em distúrbios psiquiátricos. A pesquisa envolveu pesquisadores dos Estados Unidos, do Reino Unido, da Austrália e da Ásia e teve a coordenação de Ben Neale, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). O primeiro autor foi Verneri Anttila, que faz o pós-doutorado no MIT. "Este foi um esforço sem precedentes no compartilhamento de dados, de centenas de pesquisadores em todo o mundo, para melhorar nossa compreensão do cérebro" -- Verneri Anttila (MIT). Para chegar a essas conclusões, cientistas mediram a sobreposição de fatores de risco genéticos de 25 distúrbios psiquiátricos e neurológicos. Foram analisados dados de 215.683 pacientes e de 657.164 pessoas saudáveis (grupo-controle). Também pesquisadores consideraram o quadro clínico e características de quase 1,2 milhões de indivíduos. Além das similaridades genéticas, a comparação entre os grupos e o mapeamento de genes traz dois desdobramentos importantes: A pesquisa reforça que pessoas com pais com distúrbios psiquiátricos têm mais chance de desenvolver condições similares; Distúrbios psiquiátricos diferentes estão relacionados a um mesmo conjunto de genes, mesmo que os sintomas se apresentem de formas diferentes. Autores ressaltam que a descoberta mostra a necessidade do reconhecimento das similaridades entre as condições para que novas estratégias de tratamento sejam desenvolvidas. Sobreposição genética entre diferentes doenças Os resultados do estudo apontam que a sobreposição genética foi mais forte entre Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), transtorno bipolar, depressões mais graves e esquizofrenia. Os dados também indicaram forte sobreposição genética entre anorexia nervosa e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), bem como entre TOC e síndrome de Tourette. Entre os distúrbios neurológicos, houve fraca sobreposição de genes. Dados do estudo mostram que a doença de Parkinson, a doença de Alzheimer, a epilepsia e a esclerose múltipla, mostraram pouca ou nenhuma correlação genética entre si e com outros distúrbios cerebrais. Cientistas dizem ser necessário uma maior quantidade de dados para analisar ainda qual o impacto da similaridade genética entre as diferentes condições. Eles acreditam, no entanto, que a sobreposição de genes agora apresentada exerce uma forte pressão sobre as fronteiras clínicas estabelecidas entre os distúrbios mentais. "O alto grau de correlação genética entre muitos dos distúrbios psiquiátricos acrescenta mais evidências de que os atuais limites clínicos não refletem diferentes processos patogênicos, pelo menos no nível genético", escreveram.

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Imunização de crianças em queda: por que os pais deixam de vacinar os filhos? Veja perguntas e respostas


Vacinação de crianças menores de um ano teve seu menor índice de cobertura em 16 anos. Por causa da baixa adesão, vacinação contra a gripe foi prorrogada em vários estados Cristine Rochol/PMPA Os baixos índices de imunização de crianças no Brasil acenderam o alerta em especialistas. Mas afinal, quais os motivos por trás da decisão de pais que não vacinaram os filhos? Para Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, um dos motivos que explicam o menor índice em 16 anos de cobertura de vacinação em crianças menores de um ano é o fato de que as vacinas estão culturalmente vinculadas à percepção de risco da doença. Quando se trata de doenças erradicadas, a população tem mais dificuldade de enxergar seus perigos. Teoria de que vacinas deixam crianças expostas a todo tipo de infecção é infundada, diz estudo Bem Estar tira dúvidas sobre a vacina da gripe Imunização falha e onda antivacina explicam aumento de 400% de sarampo na Europa, diz OMS "As vacinas acabam sendo 'vítimas de seu próprio sucesso'. A cultura do ser humano é de se vacinar quando há um risco iminente, quando ele não enxerga esse risco, não trata com prioridade, o que é um equívoco" Kfouri cita como exemplo os dados de cobertura da vacina contra a gripe, em 2016, que em três semanas atingiu a meta de 80% de cobertura, quando houve um surto da doença. “Hoje isso não seria possível nem em três meses.” Para a pediatra Ana Escobar, consultora do programa "Bem Estar", muitos pais mais jovens ficaram muito longe da realidade de ter uma criança com poliomelite ou sarampo, por exemplo. "Não conhecem e nem nunca viram crianças com estas doenças. Por isso, não há um estímulo vigoroso para que compareçam aos postos de saúde com a frequência necessária para vacinar seus filhos. Há pouca informação na mídia sobre a gravidade destas doenças, que de fato diminuíram sensivelmente sua incidência", analisa. Na campanha de vacinação contra a gripe de 2018, as crianças de seis meses a cinco anos e as gestantes registram o menor índice de vacinação contra a gripe. A três dias do fim da campanha, apenas 65,92% das crianças tinham sido vacinadas. Segundo dados do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, nos últimos dois anos a meta de ter 95% da população-alvo com menos de um ano vacinada não foi alcançada. Dentre as vacinas do calendário infantil, apenas a BCG teve índices satisfatórios em 2016 e 2017. A vacina Tetra Viral, que previne o sarampo, caxumba, rubeóla e varicela, apresenta o menor índice de cobertura: 70,69% em 2017. Seguido da vacina de Rotavírus Humano que ficou 20% abaixo da meta. Mas por que os pais deixam de vacinar os filhos? Para Kfouri um impeditivo para a vacinação é o fato de muitas vezes a população e até os profissionais da área da saúde não conhecem a doença para qual precisam se imunizar e consequentemente não entendem seus riscos. "Doenças como rubéola, sarampo e poliomelite foram erradicadas, e não são mais vistas, dificultando que as pessoas enxerguem o risco. Muitas vezes até profissionais da área de saúde deixam de fazer recomendações mais enfáticas [sobre a importância de se imunizar] também por esta falta de percepção." Há outros motivos para que as pessoas deixem de se vacinar? Além da percepção do risco da doença, fatores como o horário de funcionamento dos postos de saúde, além da falta sazonal de uma determinada vacina podem ser motivos para a falta de vacinação, segundo Kfouri. Ele lembra que os postos funcionam em horário comercial e nem sempre atendem as necessidades das famílias, cujo os pais trabalham fora. “Os horários nem sempre são os mais adequados, é preciso repensar isso.” Ana Escobar lembra ainda que há uma diminuição da frequência de campanhas de vacinação para doenças erradicadas: "As campanhas de vacinação, feitas com grande frequência na época de erradicação da poliomielite, com intensa propaganda nos meios de comunicação – os mais velhos ainda se lembram do Zé Gotinha- estimulava o comparecimento aos postos. Com a erradicação da Polio e a diminuição da frequência das campanhas, o estímulo para se vacinar diminuiu também". Medo de supostas reações pode contribuir para a não vacinação? Para Kfouri, o público que deixa de vacinar seus filhos por medo das reações é uma parcela desprezível que não impacta os índices de cobertura. Quais as consequências desses baixos índices de imunização? Para a doutora Ana Escobar, não há dúvidas: o risco do retorno de doenças já erradicadas é uma das consequências dos baixos índices de imunização. "Observe-se que frequentemente temos tido um aumento de casos de sarampo aqui ou ali, que imediatamente é controlado com campanhas de vacinas. Importante saber que a única doença oficialmente erradicada do planeta é a varíola. Nem a poliomielite está erradicada. Portanto, baixas coberturas vacinais pode, sim, trazer algumas destas doenças de volta", explica. A comunicação sobre a necessidade de se vacinar ainda é ineficaz? Segundo Ana Escobar, apesar dos avanços na comunicação, ainda temos dificuldade nesta área quando o tema é vacinação: "A importância das vacinas só aparece como “explosão” e lembrança de sua importância quando o número de casos para determinada doença aumenta, como o que aconteceu recentemente com a febre amarela." "O 'medo iminente' de adoecer e morrer é que faz as pessoas correrem. O 'perigo remoto e longínquo' destas doenças, aliado à falta de informação sobre as mesmas, não faz ninguém correr. Poucos jovens de hoje sabem o que é difteria, o que causa e por que se morre com esta doença, por exemplo", diz.

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Na véspera do encerramento, campanha de vacinação contra a gripe não atingiu 8,6 milhões de pessoas


Menor índice de vacinação é entre crianças de seis meses a cinco anos. Ministério da Saúde diz que 44 crianças morreram por causa de gripe, mais que o dobro do ano passado. Criança é vacina contra a gripe A em posto de saúde no bairro da Terra Firme, em Belém. Igor Mota/Amazônia Hoje/Arquivo Na véspera do último dia da campanha nacional de vacinação contra a gripe, 8,6 milhões de brasileiros ainda não tinham se vacinado, de acordo com o Ministério da Saúde. Apesar do prazo ter sido prorrogado até sexta, dia 22 de junho, a meta do Ministério da Saúde de ter 54, 4 milhões de pessoas vacinadas não foi alcançada. O governo recomenda que municípios que tenham estoque ampliem a vacinação também para crianças de cinco a nove anos de idade e aos adultos de 50 a 59 anos (veja abaixo qual é o público-alvo atual). Entre o público alvo que ainda precisava ser alcançado, 3,6 milhões são crianças com menos de cinco anos. O Ministério da Saúde informou que já registrou 44 mortes de crianças nesta faixa etária por complicações relacionadas à gripe neste ano. O número é mais que o dobro do mesmo período do ano passado, quando foram 14 óbitos. Quem deve ser vacinado A vacina contra a gripe é indicada por pessoas em maior risco de transmissão (como profissionais da saúde) ou pessoas com maior possibilidade de desenvolver complicações mais graves (como é o caso de idosos). Os grupos são: Professores da rede pública e privada; Profissionais de saúde; Crianças entre 6 meses e cinco anos (estão com a menor cobertura); Gestantes; Mulheres com parto recente (com até 45 dias); Idosos a partir de 60 anos; Povos índigenas; Portadores de doenças crônicas; População privada de liberdade (inclui funcionários do sistema prisional e menores infratores). Alerta sobre a cobertura Para o Ministério da Saúde, a baixa cobertura registrada até o período "acendeu um alerta". A preocupação, segundo a pasta, é com o inverno, período considerado de maior circulação do vírus da gripe. A região Sudeste tem menor cobertura vacinal contra a gripe até o momento, com 77,2%. Em seguida estão as regiões Norte (78,4%), Sul (84,8%), Nordeste (89,3%) e Centro-Oeste com a melhor cobertura, de 96,5%. Entre os estados, Goiás, Amapá, Distrito Federal, Ceará, Espírito Santo, Tocantins, Maranhão, Paraíba, e Alagoas possuem cobertura vacinal contra a gripe acima de 90%. Os estados com as taxas mais baixas de vacinação contra a gripe são Roraima, com 60,4% e Rio de Janeiro, com 62,4%. Cobertura vacinal Total de casos e mortes Segundo boletim que contabilizada dados até 16 de junho, foram 3.122 casos de influenza em todo o país, com 535 mortes. Do total, 1.885 casos e 351 mortes foram por H1N1. Em relação ao vírus H3N2, foram 635 casos e 97 mortes. Houve ainda 278 registros de influenza B, com 31 mortes e outros 324 registros de influenza A não subtipado, com 56 mortes. A taxa de mortalidade por influenza no Brasil está em 0,26% para cada 100 mil habitantes. Em 73,5% houve, pelo menos, um fator de risco para complicação, tais como cardiopatias, diabetes e pneumopatias.

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Infecções por vírus estão associadas à doença de Alzheimer, diz estudo


Pesquisa publicada na 'Neuron' nesta quinta-feira (21) identificou fragmentos de vírus da herpes em quatro áreas do cérebro de pessoas que tiveram a demência. Ilustração desenvolvida por cientistas mostra cérebro sendo afetado por vírus. Relação entre micro-organismos e o órgão é muito debatida pela ciência Shireen Dooling/Biodesign Institute at ASU A doença de Alzheimer pode ser uma consequência de infecções por vírus que aconteceram ao longo da vida, principalmente o vírus da herpes, diz estudo publicado nesta quinta-feira (21) na revista "Neuron". A pesquisa analisou três diferentes bancos de dados de cérebros e mostrou, segundo os autores, o maior conjunto de evidências registrado até agora sobre essa relação. No total, cientistas analisaram 622 cérebros de pessoas que tiveram Alzheimer e 322 órgãos de pessoas sem a doença. O estudo teve a participação de pesquisadores da Universidade do Estado do Arizona e da Icahn Escola de Medicina Monte Sinai, ambas nos Estados Unidos. Cientistas contaram com financiamento do NIH (Instituto Nacional de Saúde dos EUA). "Trata-se de um estudo publicado em uma revista importante sobre uma discussão grande na ciência: a relação entre micro-organismos e o cérebro", diz Almir Ribeiro Tavares Júnior, professor da Faculdade de Medina da Universidade Federal de Minas Gerais que já acompanhou estudos com Alzheimer no NIH. O pesquisador explica que cientistas desconfiam há décadas da relação entre demências e infecções. Acredita-se que a proteína associada à doença de Alzheimer, a beta amiloide, pode ser produzida como uma reação do sistema imunológico a infecções por micro-organismos. "A beta amiloide se associa com morte neuronal e pior transmissão de impulsos entre neurônios. Antes, pensava-se que ela fosse a causa da doença de Alzheimer. Hoje, ela também é estudada como consequência", diz o pesquisador. Almir Tavares alerta, no entanto, que as pessoas estudadas não necessariamente tiveram herpes. "O estudo mostra que essas pessoas tiveram contato com o vírus ao longo da vida", diz. "Não dá para inferir que uma pessoa que tem herpes vai desenvolver a doença. Cada situação precisa de um estudo específico", conclui Tavares. Vírus da herpes e dificuldades do estudo Ao comparar cérebros de pessoas acometidas pela demência com cérebros normais, o estudo identificou altos níveis de herpesvírus humano (HHV) 6A e 7 em amostras de cérebro de pessoas que haviam tido a doença. Os cientistas encontraram fragmentos do vírus em quatro regiões diferentes do cérebro. Pesquisadores salientam, no entanto, que o estudo não permite estabelecer uma relação de causalidade entre Alzheimer e infecções, mas aponta para uma relação possível. "Seria muito difícil cravar essa relação, porque seria necessário um estudo prospectivo, com uma intervenção", diz o pesquisador da UFMG. "Um dos problemas é acompanhar essas pessoas por muitas décadas", conclui Tavares. Além da presença do vírus, cientistas sequenciaram o DNA e o RNA de todos os 944 cérebros analisados e encontraram diversos mecanismos associados ao Alzheimer que podem ter sido deflagrados pelas infecções. "Eles estavam procurando por sinais indiretos que podem ter sido deixado pelos vírus", completa Tavares. "É um conjunto de ideias batalhado por pesquisadores há anos. Agora, cientistas conseguiram um financiamento para a análise de um grande conjunto de dados, mas ainda é uma pesquisa e não tem implicação prática nesse momento", diz Almir Tavares.

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Notificações de acidentes de trânsito ligados ao trabalho crescem mais de seis vezes entre 2007 e 2016


Foram mais de 118 mil casos reportados ao Ministério da Saúde no período. Em 2016, internações ligadas a problemas a caminho do trabalho ou no exercício da função somaram 10% das hospitalizações por acidentes. Trânsito na Marginal Pinheiros (São Paulo) em foto de 11 de junho de 2018 Marivaldo Oliveira/Código19/Estadão Conteúdo Os acidentes de transporte relacionados ao trabalho cresceram 568,5% - ou cerca de 6,7 vezes - no Brasil em nove anos (2007-2016), informa levantamento do Ministério da Saúde feito a partir de dados do Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação). O dado considera acidentes ocorridos quando o trabalhador tem uma função que envolve locomoção ou quando estava indo ou voltando do local de trabalho. Considerando os dados de 2016, os acidentes de trânsito relacionados ao trabalho representaram em média 10% das internações por todos os acidentes de trânsito observados no período (foram 180 mil no ano de 2016). No período, segundo uma das fontes oficiais disponíveis, foram 16.568 mortes no período, o que representa um percentual de 14% de óbitos dentro dos casos notificados. Abaixo, confira a evolução do taxa de acidentes de transporte relacionados ao trabalho ao longo do tempo. No total, foram 118.310 notificações desse tipo de acidente entre 2007 e 2016, com maiores índices em 2015 (17.327) e 2016 (18.706), informa a pasta. Em 2007, foram 2.798 notificações, número que subiu para 18.706 em 2016. O Ministério da Saúde informa que o número pode refletir uma maior eficiência no envio das notificações -- e não só um incremento nos acidentes. A pasta, no entanto, cita que o maior aumento registrado na frota de veículos a partir de 2013 no Brasil também pode ajudar a explicar o maior número de notificações. Apesar da melhora nos registros nos últimos anos, o Ministério da Saúde considera a possibilidade de subnotificação em muitos casos de internação por ausência de preenchimento ou desconhecimento sobre a razão de deslocamento. Perfil demográfico Considerando o perfil de quem sofre acidente, a maioria é homem (81,7%), tem entre 18 e 29 anos (40,1%), e é da raça/cor negra (39,8%) com escolaridade de ensino médio (33,9%). Quanto à análise da situação no mercado de trabalho, o maior percentual de acidentes foi notificado para empregados registrados (61,8%). A região com maior percentual de registros de acidentes de transporte relacionados ao trabalho no Sinan foi a Sudeste (47,5%), e a menor, a região Norte (9,2%). Número de mortes é divergente O boletim do Ministério da Saúde considerou dois registros para contabilizar o número de mortes, com dados diferentes entre eles. Segundo o Sistema de Informações de Mortalidade(SIM), que integra o DataSus, o Brasil teve 16.568 mortes de acidentes de transporte relacionadas ao trabalho entre 2007 e 2016. Em 2007, foram registrados 1.447 óbitos; em 2016, 1.393. Já no Sinan, foram notificados 76 óbitos em 2007; contra 768 em 2016. Segundo o Ministério da Saúde, o Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) registrou 63,1% menos mortes que o SIM (Sistema de Informação sobre Mortalidade).

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A caixa revolucionária que coleta água do ar no deserto


Coletora foi testada com sucesso no deserto do Arizona e pode ser adaptada para qualquer outro no mundo. O aparelho pode ser usado em qualquer lugar do mundo e não usa eletricidade Stephen McNally/UC Berkeley/Divulgação A tecnologia para captar água potável a partir das moléculas de água distribuídas na atmosfera já existe há muitos anos, mas aparelhos que sejam pequenos, eficientes e capazes de fazê-lo em grande em escala ainda são um desafio. Por tudo isso, o trabalho do cientista americano Omar Yaghi, professor de química na Universidade da Califórnia em Berkeley, é um avanço nesse sentido. Ele criou uma caixa que retira água do ar do deserto e funciona apenas com luz solar, sem a necessidade de nenhuma outra fonte de energia. O pesquisador e sua equipe acabaram de testar o aparelho com sucesso no deserto do Arizona. Yaghi é reconhecido internacionalmente por ser pioneiro no desenvolvimento de um tipo de material com altíssima capacidade de absorção, que foi usado na produção da coletora da água. Entre os diversos prêmios que já recebeu, está o que ganhou neste ano da Fundação BBVA Fronteiras do Conhecimento na categoria Ciências Básicas. O reconhecimento veio por causa de seu trabalho com as chamados Metal Organic Frameworks (MOF, ou estruturas metalorgânicas), conjuntos de moléculas em que cadeias de átomos de carbono se unem por meio de íons metálicos, formando estruturas. O químico Omar Yaghi trabalha com estruturas metalorgânicas UC Berkeley/Divulgação O próprio Yaghi deu um nome a esse campo de pesquisa: "química reticular". Os cientistas podem modificar as estruturas metalorgânicas para incorporar propriedades diferentes – por exemplo, tornando-os porosos e aumentando sua capacidade de absorção. Além de captar água, esse material tem potencial para absorver CO² da atmosfera e armazenar gases para combustíveis. Poros aumentam a superfície interna da estrutura, sendo ideais para absorção de água UC Berkeley/Divulgação Vários tipos de MOF já estão sendo testados para aumentar a capacidade do tanque de automóveis que funcionam à base de hidrogênio, por exemplo. A aplicação do material para captação de água do deserto é uma das mais promissoras. Caixa surpresa Os poros de MOF atraem e armazenam as moléculas de água do ar e depois os soltam, sem demandar altas temperaturas ou uso de eletricidade. A coletora de água é basicamente uma caixa dentro de outra. Na de dentro, há uma camada feita com as estruturas metalorgânicas e que absorve as moléculas durante a noite. A caixa maior, de plástico, tem uma tampa que fica aberta durante a noite para captar a umidade. Várias startups estão de olho na nova tecnologia UC Berkeley/Divulgação Durante o dia, a tampa é fechada, e com o calor do sol o aparelho se aquece e funciona como uma estufa. O calor moderado dentro do dispositivo faz o MOF liberar as moléculas de água, que se condensam no interior da caixa maior e escorrem para o fundo. A grande novidade desse material é que ele absorve a água, mas não a "segura" com muita força. Outros materiais, como as argilas, também absorvem umidade, mas precisam ser aquecidos a altas temperaturas para liberá-la. Mais barato A caixa testada no Arizona pode armazenar cerca de 200 ml de água por kg de MOF em um ciclo de captação. O material não deixa resíduos no líquido, que pode ser bebido sem tratamento. O tipo de material usado no protótipo da caixa contém zircônio, um metal caro. Mas Yaghi pretende testar em breve uma caixa coletora de água com outra variedade de estrutura metalorgânica, o MOF 303, que tem a base de alumínio – 150 vezes mais barato. Esse tipo de MOF captura o dobro de água, podendo melhorar o rendimento do dispositivo. O químico afirma que já existe um enorme interesse comercial no protótipo, com várias startups atuando no desenvolvimento de versões comerciais da coletora. Yaghi está trabalhando em aplicações da tecnologia em Riad, na Arábia Saudita, em parceria com a Cidade do Rei Abdul Aziz para a Ciência e Tecnologia, uma entidade governamental voltada para pesquisas. O cientista afirma que o sistema pode ser adaptado para coletar água em qualquer deserto do mundo. "Um terço da população vive em áreas com escassez de água, então poder obtê-la dessa forma é algo muito poderoso", afirma.

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